Retomando do ponto em que paramos no capítulo anterior, desde a versão 95 que o Windows integra um desfragmentador nativo, mas, até o lançamento do saudoso XP, usar esse recurso exigia uma paciência de Jó. Além do tempo que o processo levava, ou a gente recorria ao modo de segurança, ou encerrava todos os aplicativos, fechava todos os processos listados no Gerenciador de Tarefas (com exceção do EXPLORER e do SYSTRAY) e deixava o barco correr sem nem mesmo mover o mouse, sob pena de a ferramenta voltar ao início do disco, conferir tudo que já havia feito e só então retomar a desfragmentação do ponto em que havia parado. Em resumo, um saco.

Mas o Defrag melhorou bastante ao longo das novas versões do Windows, e há tempos que permite agendar a execução automática em segundo plano ― embora seja recomendável definir um horário em que o computador esteja ocioso; caso você comande o processo manualmente, procure fezê-lo no final do dia ou num domingo ― ou seja, quando você não precisar usar o computador, não só porque qualquer modificação no conteúdo do disco retarda o processo, mas também porque o sistema costuma ficar irritantemente lento durante a desfragmentação.

Note que a maioria das suítes de manutenção oferece desfragmentadores próprios, mais rápidos e até mais eficientes que o do Windows. Dentre outras programinhas já comentados no Blog (digite “desfragmentação” no campo de pesquisas para obter mais sugestões), você certamente vai gostar do Smart Defrag, que, além de rápido, oferece recursos adicionais, como desfragmentação off-line (feita durante a inicialização, de maneira a atuar sobre arquivos que ficam inacessíveis depois que o Windows está carregado), otimização (regravação dos arquivos do sistema no início do disco para acelerar o desempenho), consolidação do espaço livre, e por aí vai.

O Windows, em suas encarnações mais recentes, procura evitar que a fragmentação ocorra. Isso levou a Microsoft a automatizar o Defrag e suprimir o comando que permitia executá-lo no famigerado Windows Vista, mas a mudança não foi bem aceita e a empresa voltou a disponibilizá-lo no Seven. No Windows 10, você pode acessar o Defrag abrindo o menu Iniciar e expandindo as opções sob Ferramentas Administrativas, ou então abrir a pasta Computador, dar um clique direito no ícone do seu HD, clicar em Propriedades e, sob a aba Ferramentas, pressionar o botão Otimizar.

Muitos analistas defendem o uso do desfragmentador nativo do Windows. Segundo eles, a partir do Seven, a ferramenta ficou tão boa quanto as soluções de terceiros. Sem embargo desse detalhe, o importante é você desfragmentar seu disco a cada quinze dias (ou, se usa pouco o computador, uma vez por mês), não só reduzir a degradação do desempenho, mas também para evitar que processo demore muito para ser concluído.

É importante salientar que drives de estado sólido não devem ser desfragmentados. Isso porque, em vez utilizarem pequenas estruturas magnéticas para informar o valor de cada informação (tecnologia utilizada nos discos rígidos tradicionais), esses drives o fazem de maneira eletrônica. E ainda que suas células de memória flash suportem um número de leituras ilimitado, o mesmo não acontece com as operações de escrita. Assim, além de não trazer benefícios sensíveis, a desfragmentação dos SSDs tende a reduzir sua vida útil.

Por hoje é só. Até a próxima.